Você sabe o que é tireoide?

Muito parecida com uma borboleta, a glândula tireoide é localizada na parte anterior do pescoço, logo abaixo do Pomo de Adão. Ela é reguladora da função de importantes órgãos como o coração, o cérebro, o fígado e os rins, reproduzindo os hormônios T3 (triiodotironina) e o T4 (tiroxina).

Quando a tireoide não funciona de maneira correta, pode liberar hormônio em quantidade insuficiente, causando o hipotireoidismo, ou em excesso, ocasionando o hipertireoidismo.

Pessoas com hipotireoidismo sofrem a redução da sua atividade metabólica.  Sendo assim, o organismo gasta menos energia, além de reter mais sal e água, provocando o inchaço.

De acordo com um artigo publicado no mês de agosto 2010 no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, pesquisadores observaram que indivíduos com hipotireoidismo tem propensão a apresentar maior índice de massa corporal (IMC).

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Qual a relação entre tireoide e obesidade?

As células gordurosas produzem um hormônio denominado leptina e questiona-se se este seria o fator que ligaria a disfunção da tireoide à obesidade. Este hormônio regula o equilíbrio energético informando ao cérebro sobre as reservas de energia no organismo.

O que é cirurgia da obesidade?

Gastroplastia, Cirurgia Bariátrica, Cirurgia da Obesidade ou ainda de Cirurgia de Redução do Estômago, são nomes diferente para o procedimento plástico no estômago, que tem como objetivo reduzir o peso de pessoas com o IMC muito elevado.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) esta cirurgia é indicada apenas para  pacientes com IMC acima de 35 Kg/m², que tenham complicações como apneia do sono, hipertensão arterial, diabetes, aumento de gorduras no sangue, problemas articulares, ou pacientes com IMC maior que 40 Kg/m², que não tenham obtido sucesso na perda de peso com outros tratamentos.

cirurgia-bartiatrica-obesidade-gastroplastia

Existem três tipos básicos de cirurgias bariátricas:

Restritivas

São aquelas que restringem a alimentação através da diminuição do tamanho e do volume do estômago. Como resultado, a pessoa passa a se alimentar em moderadas quantidades, emagrecendo sem sentir fome.

  • A Sleeve Gastrectomy é uma nova técnica cirúrgica desenvolvida pelo Dr. Michel Gagner, cirurgião canadense radicado em Nova Iorque. Gagner, considerado o maior cirurgião laparoscópico do mundo, realizou mais de 4000 cirurgias laparoscópicas para obesidade mórbida e apresentou conferências sobre o tema ao redor do mundo.
  • Também conhecida por vários outros nomes com a mesma técnica: Cirurgia de Redução Gástrica e Gastroplastia.
  • É realizada uma secção longitudinal do estômago , com a retirada de grande parte do estômago reduzindo significativamente o volume do mesmo.
  • É uma cirurgia que está crescendo muito em frequência no mundo pelos resultados de perda de peso que são muito próximos ao ByPass Gástrico sem as desvantagens de perda de vitaminas , ferro, ferritina e outros, porque não há um desvio do intestino delgado.

Vantagens:

  • O paciente, obedecendo às orientações da equipe multidisciplinar, se alimenta com variedade: pode comer de tudo, mas em pequenos volumes. Com a vantagem de não ter fome porque o estômago está diminuído.Não ocorrem perdas consideráveis de cálcio, ferro, vitaminas e outras; afinal, tudo o que ele come é absorvido.

Desvantagem:

  • Dificuldade, em alguns casos, com a aceitação da carne de gado – que parece mais difícil de ingerir, provocando, no paciente, a sensação de plenitude gástrica. Isso, porém, não impede a ingestão desse tipo de alimento.
  • Resultados:
  • Muito efetiva.Redução entre 80% e 100% do excesso de peso ao longo de um ano, desde que se tenha acompanhamento da equipe multidisciplinar.

Complicações:

    • Estreitamento do tubo gástrico, que pode ocorrer em torno de 5% dos casos. Isso não demanda nova cirurgia, porque é realizada a dilatação por endoscopia em uma ou algumas sessões.
    • 0,5 % de mortalidade, isto é, de cada 200 pacientes, 1 pode vir a óbito, sendo as principais causas:
      • Embolia pulmonar. É o deslocamento de um coágulo formado nos membros inferiores, porque o obeso tem maior dificuldade de circulação nas pernas. A prevenção é realizada com o uso de anticoagulante no dia anterior à cirurgia e de meias elásticas nos membros inferiores no dia da cirurgia. Também são usadas botas especiais para bombear o sangue durante a cirurgia.
      • Deiscência (abertura) das suturas realizadas no estômago, ocorrendo um vazamento do líquido gástrico para dentro da cavidade, o que ocasiona peritonite, infecção e possibilidade de reintervenção cirúrgica.

Banda Gástrica

É colocada uma fita de silicone em volta da porção mais alta do estômago, de modo que se reduza o volume de alimentos que passa, gradualmente, para o restante do órgão. Existe a possibilidade de ajuste da fita através de um mecanismo de instilação de soro fisiológico colocado no subcutâneo do paciente, para que, assim, se diminua ou aumente a passagem do alimento.

Vantagens:

  • O procedimento é rápido. Pode ser realizado por videolaparoscopia e com pouco tempo de internação hospitalar (geralmente 24 horas). A banda gástrica pode ser retirada quando o paciente quiser.

Complicações:

  • Migração da banda gástrica para cima, para baixo ou para dentro do estômago, perdendo a função (o paciente não emagrece mais) e demandando sua retirada.

Resultados:

  • Relativa perda de peso.

Cirurgia de Mason

Cirurgia de Mason ou Gastroplastia Vertical Bandada: é a diminuição do estômago utilizando somente a secção do órgão ao nível de sua porção mais alta. Forma-se uma pequena câmara gástrica e coloca-se um anel de contenção em volta do estômago, reduzindo assim o volume de alimento ingerido.

Resultados:

  • Relativa perda de peso.

Complicações:

  • Comunicação (fistulização) entre as partes do estômago, perdendo a efetividade da cirurgia.

Mistas

São aquelas que restringem a alimentação através da diminuição do tamanho do estômago, associando um desvio de alimento em torno de um metro do trânsito intestinal, o que diminui a absorção. A pessoa se alimenta com volumes muito pequenos, emagrece significativamente e não sente fome.

Cirurgia de Capela (Redução de Estômago)

  • Também conhecida por vários outros nomes com a mesma técnica: Cirurgia de Redução Gástrica, Gastroplastia, Cirurgia de Fobbi-Capela, Bypass Gástrico, Cirurgia de Wittgrove ou Clark.
  • É a cirurgia mais praticada no mundo (cerca de 90% do total das cirurgias bariátricas). São usadas várias terminologias para designá-la: Cirurgia de Redução Gástrica, Gastroplastia, Cirurgia de Capela, Cirurgia de Fobbi-Capela, Bypass Gástrico, Cirurgia de Wittgrove ou Clark.

Vantagens:

  • O paciente, obedecendo às orientações da equipe multidisciplinar, se alimenta com variedade: pode comer de tudo, mas em pequenos volumes. Com a vantagem de não ter fome porque o estômago está diminuído.Não ocorrem perdas consideráveis de cálcio, ferro, vitaminas e outras; afinal, tudo o que ele come é absorvido.

Desvantagem:

  • Dificuldade, em alguns casos, com a aceitação da carne de gado – que parece mais difícil de ingerir, provocando, no paciente, a sensação de plenitude gástrica. Isso, porém, não impede a ingestão desse tipo de alimento.

Resultados:

  • Muito efetiva.Redução entre 80% e 100% do excesso de peso ao longo de um ano, desde que se tenha acompanhamento da equipe multidisciplinar.

Complicações:

  • Estreitamento da anastomose gastro-entero (passagem do estômago para o intestino), que pode ocorrer em torno de 5% dos casos. Isso não demanda nova cirurgia, porque é realizada a dilatação por endoscopia em uma ou algumas sessões.
  • 1% de mortalidade, isto é, de cada 100 pacientes operados, um pode morrer em decorrência da cirurgia, sendo as principais causas:
    • Embolia pulmonar. É o deslocamento de um coágulo formado nos membros inferiores, porque o obeso tem maior dificuldade de circulação nas pernas. A prevenção é realizada com o uso de anticoagulante no dia anterior à cirurgia e de meias elásticas nos membros inferiores no dia da cirurgia. Também podem ser usadas botas especiais para bombear o sangue durante a cirurgia.
    • Deiscência (abertura) das suturas realizadas no estômago e intestino, ocorrendo um vazamento do líquido gástrico para dentro da cavidade, o que ocasiona peritonite, infecção e possibilidade de reintervenção cirúrgica.

Disabsortivas

São aquelas cirurgias com um desvio considerável no trânsito alimentar, permitindo ao paciente comer grandes volumes e, mesmo assim, emagrecer. A razão disso é a má absorção do alimento, que passa por um segmento menor de intestino delgado. Muito usada para os pacientes chamados superobesos (IMC maior do que 50).

Cirurgia de Scopinaro

  • Diminuição do volume gástrico, permitindo, no entanto, a ingestão de grandes volumes de alimento. É associada a um desvio do intestino delgado.

Vantagens:

  • Cirurgia para quem quer comer grandes volumes sem maiores restrições.

Desvantagem:

  • Pode ocorrer diarréia frequente e odor bastante fétido nas fezes e gases intestinais. Perda de componentes essenciais ao organismo ao longo do tempo, o que exige controles laboratoriais periódicos para aferição e reposição desses elementos. Demanda uma alimentação rica em proteínas. Perda de peso exagerada.

Complicações:

  • As mesmas descritas na Cirurgia de Capela.

Resultados:

  • Perda significativa de peso ao longo de um ou dois anos.

Cirurgia de Switch Duodenal

É um aprimoramento da cirurgia de Scopinaro: utiliza o mesmo procedimento de Scopinaro, porém desvia pelo duodeno para que os alimentos passem do estômago ao intestino mais lentamente, causando menos disabsorção.

Vantagens:

  • Cirurgia para quem quer comer grandes volumes sem maiores restrições. Menor risco de diarréia frequente e odor nas fezes.

Desvantagens:

  • As mesmas descritas na Cirurgia de Scopinaro.

Complicações:

  • As mesmas descritas na Cirurgia de Capela.

Resultados:

  • Perda significativa de peso ao longo de um ou dois anos.

Cirurgia de Payne ou Bypass Jejunoileal

Diminuição da absorção dos alimentos pelo desvio do intestino delgado, deixando um segmento muito pequeno de absorção dos alimentos. Com isso, o paciente tem déficit de vitaminas, cálcio, ferro e outros, podendo emagrecer exageradamente. É uma cirurgia proscrita pelo Conselho Federal de Medicina porque traz sérios riscos ao paciente ao longo do tempo.

Todas estas cirurgias devem ser discutidas com o cirurgião e a equipe multidisciplinar, para que se escolha a que melhor se adapta ao paciente. O paciente, por sua vez, deve estar a par de tudo o que vai acontecer no pós-operatório e de todos os riscos e complicações do procedimento. Ele deve entender que a cirurgia é um instrumento para ajudá-lo a perder peso, e isso envolve a aceitação de mudanças de hábitos alimentares (não comer doces, por exemplo), além da orientação e acompanhamento da equipe multidisciplinar.

Todas as informações e indicações acima apresentadas são meramente didáticas, resumidas e estão sujeitas a reavaliação pela equipe multidisciplinar e podem ser ajustadas de acordo com cada caso.

Estas cirurgias são meramente ilustrativas para o paciente saber que existem.

O Dr. De Carli tem indicado somente as cirurgias de Bypass Gástrico e Sleeve Gástrico por videolaparoscopia, pois são as que tem os melhores resultados de perda de peso e com menor índice de complicações do que as outras descritas.