“Sleeve Gastrectomy” ou Gastrectomia Vertical

capturarA Sleeve Gastrectomy é uma nova técnica cirúrgica desenvolvida pelo Dr. Michel Gagner, cirurgião canadense radicado em Nova Iorque. Gagner, considerado o maior cirurgião laparoscópico do mundo, realizou mais de 4000 cirurgias laparoscópicas para obesidade mórbida e apresentou conferências sobre o tema ao redor do mundo.

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Dr. De Carli com Michael Gagner, amigo pessoal e criador da Sleeve Gastrectomy

Esteve em Porto Alegre, a convite do Dr. De Carli, em seis ocasiões: em 2003 no Congresso Brasileiro do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, e em 2005, 2006, 2008 ,2010 e 2012, quando foi co-coordenador, junto com o Dr. De Carli, do I, II, III, IV e V Simpósio Internacional de Videocirurgia Avançada, oportunidades em que realizou cirurgias ao vivo.

 

Gagner foi professor e chefe do Serviço de Laparoscopia e Cirurgia Bariátrica da Joan and Stanford I, Weill Medical College of Cornell University – New York Presbyterian Hospital-Weill Cornell Medical Center. Hoje é M.D. FRCSC, FACS, FASMBS, FICS, AFC (Hon.) e Chief, Bariatric and Metabolic Surgery em Montreal no Canadá

O Dr. Gagner desenvolveu a Sleeve Gastrectomy ao perceber que os superobesos (IMC maior que 50) têm um índice de mortalidade cirúrgica em torno de 5 a 7% – em função das doenças associadas frequentemente presentes. A partir destes dados formulou o seguinte método, dividindo a cirurgia definitiva em duas etapas:

1ª etapa

    Sleeve Gastrectomy. Somente a ressecção do estômago. Cirurgia mais curta, por via laparoscópica, permitindo recuperação muito mais rápida e com menos complicações.

2ª etapa

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          Seis meses após a 1ª etapa, quando o paciente já perdeu peso significativo e está em melhores condições para a cirurgia, é realizada a complementação através do desvio do intestino, também por via laparoscópica, e com menos complicações. Pode ser realizada a cirurgia de By Pass Gástrico ou Switch Duodenal, conforme decisão do médico e do paciente. O Dr. Michel Gagner realizou este tipo de procedimento (duas etapas) em 30 pacientes e, ao invés dos 7% usuais, teve 0% de mortalidade.

Por esses motivos, a nova técnica é uma ótima alternativa para os superobesos, que veem seus riscos cirúrgicos reduzidos drasticamente. De modo a trazê-la para o Brasil, o Dr. De Carli realizou, nos últimos anos, visitas periódicas ao serviço de cirurgia do Dr. Michel Gagner, com quem aprendeu e praticou a técnica. De Carli realizou a primeira cirurgia com Sleeve Gastrectomy no Rio Grande do Sul em maio de 2005, em um paciente superobeso (IMC-62, peso: 225 kg), que teve ótima recuperação pós-operatória, sem complicações, e perdeu 45 kg em seis meses.

Fruto do relacionamento entre o Dr. De Carli e o Dr. Gagner, há dois capítulos abordando a nova técnica no livro Cuidados pré e pós-operatórios na cirurgia da obesidade. Renato Souza da Silva e colaboradores – Edição AGE 2005. Os títulos dos capítulos são: Derivação Bileo-pancreática com Switch Duodenal e Cirurgia na Superobesidade.

O que é o Balão Intragástrico?

É um balão de silicone colocado por Endoscopia Digestiva Alta dentro do estômago, e preenchido com aproximadamente 600 ml de Azul de Metileno. O balão permanece no estômago por um período de, no máximo, seis meses. Faz com que o paciente consuma volumes menores, sentindo-se saciado e emagrecendo sem sentir fome.

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Vantagens:

Procedimento ambulatorial.

O paciente permanece na Sala de Endoscopia por aproximadamente duas horas até passar o efeito da sedação anestésica – logo após, retorna a seu domicílio. Depois de seis meses, retira o balão através do mesmo procedimento. Não é cirurgia.

Desvantagens:

A adaptação do paciente nos primeiros dias (três a sete) pode vir acompanhada de náuseas, vômitos e dor abdominal, sendo necessário tratamento adequado pelo médico assistente. Depois desse período, o paciente fica por seis meses totalmente assintomático.

Complicações:

Em raras ocasiões pode haver migração do balão para o intestino delgado, causando obstrução intestinal. Para evitar isso, o balão é preenchido com Azul de Metileno – assim, eventual vazamento será percebido nas fezes ou na urina do paciente. Tão logo se percebe o problema, o médico assistente deverá remover ou substituir o balão. O fabricante garante o produto.

Resultados:

Ótimos resultados para perdas de peso menores (de 15 a 20 kg) associadas à mudança de hábitos alimentares e à prática de exercícios físicos.

Orientações ao Paciente:

O objetivo do tratamento com balão intragástrico é oferecer ao paciente a sensação de saciedade precoce, de maneira que a dieta proposta possa ser seguida com facilidade.

Para se qualificar ao tratamento, o paciente deve ter, inicialmente, mais de 45kg acima do peso ideal, ou índice de massa corporal (BMI) de 35 ou mais (o BMI significa o peso em quilos dividido pela estatura em metros elevada ao quadrado). Ainda, o paciente indicado, seja por indisposição pessoal, seja por incompatibilidade médica, é aquele para o qual a cirurgia está descartada.

Outras condições ao tratamento: índice de massa corporal menor que 35, ineficácia de tratamentos clínicos prévios para emagrecimento, doenças associadas ao excesso de peso ou causadas pelas medicações utilizadas no tratamento clínico.

O êxito na perda de peso não depende unicamente do método: o paciente deve ser acompanhado, durante o tratamento, por nutricionista, psicólogo, endocrinologista ou qualquer outro especialista que o Dr. De Carli julgar necessário. Além disso, o paciente deve regressar ao consultório médico de acordo com o cronograma estipulado pelos profissionais, para que, após a remoção do balão, o tratamento seja corretamente finalizado.

Antes de iniciar o tratamento, o paciente deve realizar uma avaliação psicológica, nutricional e clínica. Serão realizados os exames de sangue e endoscopia digestiva alta, a qual avaliará as condições anatômicas do estômago.

Saiba mais: http://obesidade.luizdecarli.com.br/

Obesidade Infantil: um alerta

Os quilos extras podem causar complicações para as crianças até a sua vida adulta, mesmo que a obesidade seja revertida nesse tempo. Doenças como diabetes, hipertensão e colesterol alto são algumas consequências da obesidade infantil não tratada. A doença também pode levar a baixa autoestima e depressão.

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Fatores genéticos, má alimentação, sedentarismo ou uma combinação desses fatores são as principais causas para essa situação. Além disso, a obesidade em crianças também pode ser decorrente de doenças hormonais ou uso de medicamentos a base de corticoides.

A alimentação da criança a quantidade de exercício que ela pratica são fatores determinantes para o aparecimento da obesidade infantil, ainda que exista histórico familiar do problema.

Para saber se uma criança está acima do peso ou com obesidade, é necessário fazer a conta do IMC (índice de massa corporal). Para adultos, normalmente as medidas são específicas: IMC entre 18,5 e 25 é normal, enquanto acima de 25 já representa sobrepeso e além de 30 já é obesidade, em outro texto explicamos melhor estes cálculos.

Já nas crianças, essas faixas não se aplicam, e podem inclusive causar a falsa ilusão de que a criança está saudável, quando na verdade ela pode já estar com obesidade infantil. O ideal é que você procure um médico, pediatra, nutricionista, nutrólogo ou endocrinologista, para que ele avalie todos os aspectos da rotina da criança.

Para os pais

Avalie os hábitos do seu filho. São os pais que compram a comida, e ensinam bons hábitos para os pequenos.

  • Invista nas frutas, legumes e vegetais.
  • Prefira alimentos integrais aos refinados.
  • Evite alimentos ricos em açúcar, sódio e gorduras, como biscoitos, bolachas e refeições prontas;
  • Menos bebidas adoçadas ou muito calóricas, incluindo os sucos industrializados;
  • Cozinhe mais em casa, evitando fast-food.

A importância da nutrição para a Cirurgia da Obesidade

Texto da nutricionista Lísia Rejane Guimarães CRN-4903

A obesidade é um dos problemas de saúde pública mais preocupante da atualidade: de graves consequências, tem atingido cada vez mais pessoas (Björntorp, 2003). Ela é classificada com base no Índice de Massa Corporal (IMC) e no risco de mortalidade associada (OMS, 98). Considera-se obesidade quando o IMC encontra-se acima de 30kg/m². Quanto à gravidade, a OMS define obesidade grau I quando o IMC situa-se entre 30 e 34,9 kg/m², obesidade grau II quando IMC está entre 35 e 39,9kg/m², e obesidade grau III quando o IMC ultrapassa 40kg/m². A Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica (ASBS) considera que indivíduos com IMC entre 50 e 59,9 kg/m² são classificados com superobesidade, e acima de 60kg/m², super-superobesidade.

Outros critérios também podem ser utilizados para o diagnóstico da obesidade: excesso de 50 kg sobre o peso ideal, indivíduos com 100% acima do peso ideal, homens com cerca de 120 a 130 kg a mais, mulheres com cerca de 100, 110 kg ou mais, tomografia computadorizada, ressonância magnética, somatório das metragens de dobras cutâneas, impedância bioelétrica de múltipla frequência, relação cintura-quadril, entre outros. A classificação do grau de obesidade mais aceita pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica (SBCB), pela Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade (IFSO) e pela Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica (ASBS) é a baseada no IMC.

Como a obesidade é uma doença crônica de etiologia multifatorial, seu tratamento envolve várias abordagens, tais como: nutricional, psicoterapia, uso de medicamentos antiobesidade e prática de exercícios físicos (Segal e Fandiño, 2002). Vários pacientes, no entanto, não respondem a estas manobras terapêuticas, e necessitam de uma intervenção mais eficaz. Nestes casos em que a obesidade é de difícil manejo, a cirurgia bariátrica se apresenta como uma técnica de grande assertividade.

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A indicação do tratamento cirúrgico da obesidade baseia-se em análise criteriosa e abrangente de múltiplos aspectos clínicos do paciente. A indicação cirúrgica é reforçada por fatores como:

  1. Presença de morbidade resultante da obesidade (ou agravada por ela), como apneia do sono, dificuldade de locomoção, diabetes, hipertensão arterial e hiperlipemias;
  2. Persistência (mais de dois anos) de excesso de peso (no mínimo 45 kg), ou índice de massa corpórea (IMC) ≥ 40kg/m². Na presença de morbidezes como hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes tipo 2, apnéia do sono, entre outras, estes limites podem ser reduzidos para IMC ≥ 35kg/m²;
  3. Fracasso de métodos de emagrecimento conservadores, bem conduzidos;
  4. Ausência de causas endócrinas de obesidade, como hipopituitarismo ou síndrome de Cushing;
  5. Avaliação psíquica favorável sobre a possibilidade de o paciente suportar as transformações radicais de comportamento impostas pela operação.

É indispensável que o paciente seja informado sobre os eventuais riscos e desconfortos decorrentes do tratamento cirúrgico, bem como sobre a necessidade de controle e acompanhamento nutricional e laboratorial pós-operatório (em especial nos primeiros meses), além da supervisão dos demais membros da equipe (cirurgião, clínico, psiquiatra e psicóloga).

Desaconselha-se a cirurgia em condições que apresentem altos riscos ao paciente. Essas condições são avaliadas pelos membros da equipe, de acordo com diretrizes atuais. São elas:

  1. Pneumopatias graves, como enfisema avançado ou embolias pulmonares repetidas;
  2. Insuficiência renal;
  3. Lesão acentuada do miocárdio;
  4. Cirrose hepática;
  5. Distúrbios psiquiátricos ou dependência de álcool ou drogas.

A obesidade mórbida é uma doença grave. Ela requer cirurgia, pois interfere em vários aspectos da vida do paciente: compromete o bem-estar, reduz a expectativa de vida e praticamente impossibilita a chance de êxito dos tratamentos conservadores (perda de peso insuficiente e recidivas), baseados em dietas, medicamentos, psicoterapia e exercícios físicos.

As cirurgias mais utilizadas, atualmente, são as operações do tipo bypassgástrico, as quais reduzem a capacidade do estômago de receber alimento a volumes de 20 ml e fazem com que os nutrientes cheguem ao jejuno proximal sem o preparo fisiológico normal. A ingestão fica limitada mecânica e funcionalmente por sintomas do tipo dumping. Na técnica de Capella (Capellaet al, 1991), a restrição mecânica é aumentada pela colocação de um anel que torna o esvaziamento da pequena câmara mais lento e aumenta a sensação de saciedade precoce. Na técnica videolaparoscópica (Wittgroveet al, 1996), isso é feito pelo pequeno diâmetro do orifício de anastomose entre o colo do estômago e o jejuno. Essas operações resultam, em média, em perdas ponderais permanentes, atingidas após um ano, na ordem de 40% do peso inicial (Garrido, 2000). Com o emagrecimento, obtém-se grande melhora da morbidade associada em cerca de 90% dos pacientes operados. Em especial, os distúrbios respiratórios, a hipertensão arterial sistêmica e o diabetes tipo II respondem muito bem à perda ponderal intensa e permanente – na maioria dos casos, são dispensados cuidados específicos ou medicação.

A cirurgia da obesidade pode, eventualmente, acarretar complicações; mas, na maioria dos casos, são complicações de pequena gravidade (incisionais, pulmonares, urinárias). Em raros casos, a embolia pulmonar (1%) e as fístulas digestivas (2,6%), complicações de alta gravidade, exigem cuidados intensivos. Por todos esses motivos, a cirurgia da obesidade representa para os pacientes obesos mórbidos o recurso derradeiro – a “última esperança” – para a recuperação física, psicológica e social.