BIG – Balão Intragástrico

Balão Intragástrico

É um balão de silicone colocado por Endoscopia Digestiva Alta dentro do estômago, e preenchido com aproximadamente 600 ml de Azul de Metileno. O balão permanece no estômago por um período de, no máximo, seis meses. Faz com que o paciente coma volumes menores, sentindo-se saciado e emagrecendo sem sentir fome.

Vantagens:

Procedimento ambulatorial. O paciente permanece na Sala de Endoscopia por aproximadamente duas horas até passar o efeito da sedação anestésica – logo após, retorna a seu domicílio. Depois de seis meses, retira o balão através do mesmo procedimento. Não é cirurgia.

Desvantagens:

A adaptação do paciente nos primeiros dias (três a sete) pode vir acompanhada de náuseas, vômitos e dor abdominal, sendo necessário tratamento adequado pelo médico assistente. Depois desse período, o paciente fica por seis meses totalmente assintomático.

Complicações:

Em raras ocasiões pode haver migração do balão para o intestino delgado, causando obstrução intestinal. Para evitar isso, o balão é preenchido com Azul de Metileno – assim, eventual vazamento será percebido nas fezes ou na urina do paciente. Tão logo se percebe o problema, o médico assistente deverá remover ou substituir o balão. O fabricante garante o produto.

Resultados:

Ótimos resultados para perdas de peso menores (de 15 a 20 kg) associadas à mudança de hábitos alimentares e à prática de exercícios físicos.

Orientações ao Paciente

O objetivo do tratamento com balão intragástrico é oferecer ao paciente a sensação de saciedade precoce, de maneira que a dieta proposta possa ser seguida com facilidade.

Para se qualificar ao tratamento, o paciente deve ter, inicialmente, mais de 45kg acima do peso ideal, ou índice de massa corporal (BMI) de 35 ou mais (o BMI significa o peso em quilos dividido pela estatura em metros elevada ao quadrado). Ainda, o paciente indicado, seja por indisposição pessoal, seja por incompatibilidade médica, é aquele para o qual a cirurgia está descartada. Outras condições ao tratamento: índice de massa corporal menor que 35, ineficácia de tratamentos clínicos prévios para emagrecimento, doenças associadas ao excesso de peso ou causadas pelas medicações utilizadas no tratamento clínico.

O êxito na perda de peso não depende unicamente do método: o paciente deve ser acompanhado, durante o tratamento, por nutricionista, psicólogo, endocrinologista ou qualquer outro especialista que o Dr. De Carli julgar necessário. Além disso, o paciente deve regressar ao consultório médico de acordo com o cronograma estipulado pelos profissionais, para que, após a remoção do balão, o tratamento seja corretamente finalizado.

Antes de iniciar o tratamento, o paciente deve realizar uma avaliação psicológica, nutricional e clínica. Serão realizados os exames de sangue e endoscopia digestiva alta, a qual avaliará as condições anatômicas do estômago.

Descrição do Sistema BIG

O BIG é uma prótese esférica de silicone, a qual em seu estado inicial se encontra presa em um fio invólucro de silicone, assumindo formato cilíndrico de aproximadamente 45fr de diâmetro e 10 cm de comprimento. Em sua extremidade proximal, há uma válvula conectada a uma sonda tubular de silicone (16fr de diâmetro e 50 cm de comprimento), por onde será realizada a insuflação do balão. A capacidade do balão fica entre 400 e 600 mililitros.

Colocação:

  1. O BIG deve ser colocado em regime ambulatorial ou hospitalar – dia.
  2. O posicionamento deve ser feito sob sedação profunda ou anestesia geral superficial, a critério do médico anestesiologista. Monitoração cardíaca e oximetria são obrigatórias.
  3. Introdução do balão vazio via oral até seu posicionamento na cavidade gástrica.
  4. Injeção de 500 mililitros (400-600 mililitros) de solução salina isotônica a 0,9 % com 5 mililitros de azul de metileno.
  5. Terminada a insuflação, realiza-se manobra de fechamento da válvula do balão.
  6. Tração cefálica da sonda de insuflação, lentamente, até a liberação do balão dentro da cavidade gástrica.
  7. Aferição do posicionamento correto do balão através de endoscopia.
  8. Liberação do paciente duas horas após a colocação.
  9. Tempo de permanência média do BIG é de quatro meses (máximo seis meses).

Retirada:

  1. A retirada deve ser realizada sob sedação profunda, por médico anestesiologista, e devidamente monitorada.
  2. Após o paciente sedado, deve-se proceder a endoscopia digestiva e posicionamento do balão no fundo gástrico.
  3. Com o aparelho de endoscopia em retroversão, realiza-se a perfuração do BIG com agulha de esclerose, a qual deve ser introduzida alguns centímetros dentro do balão. Recolher a agulha e iniciar a aspiração do líquido com controle do volume aspirado. O balão deve estar totalmente vazio para ser retirado.
  4. Após esvaziamento completo, o balão deve ser capturado com “pinça de corpo estranho” na face contra-lateral à válvula.
  5. A retirada deve ser lenta e gradual, mantendo o balão junto à ponta do endoscópio.

Após a retirada, o paciente deve ficar em observação por duas horas, sendo liberado em seguida.Possíveis Riscos e Mal-Estar:

Qualquer procedimento médico implica riscos. Existem riscos quando uma pessoa recebe uma sedação profunda, e esses riscos são maiores se a pessoa é, consideravelmente, obesa. Ainda que menos provável, pode haver complicação resultante da presença de um corpo estranho no organismo do paciente. Todo equipamento de suporte e cuidados para evitar qualquer complicação estarão à disposição do médico.Complicações:

  • Desinsuflação do balão, seguido de sua expulsão pela via natural ou obstrução intestinal – 1 % a 8 % dos casos
  • Meteorismo – 8%
  • Náusea e dor persistente (por mais de duas semanas após o posicionamento) – 3%
  • Úlcera de decúbito – 1 %
  • Úlcera péptica – 1%
  • Se detectar coloração azul na urina ou nas fezes, o paciente deve comunicar imediatamente ao Dr. De Carli para que o balão seja retirado. A mudança de coloração ocorre devido a presença de azul de metileno misturado à solução salina utilizada na insuflação.
  • Para que o tratamento tenha resultado, é fundamental seguir a orientação nutricional e o suporte psicológico, além de realizar exercícios físicos. Existe a possibilidade de que a perda de peso planejada anteriormente ao tratamento não seja confirmada – por isso, a colaboração do paciente é muito importante durante o processo.

Aconselha-se utilização de método contraceptivo durante o período de tratamento, pois o efeito da rápida perda de peso sobre o feto é imprevisível. Nos casos em que a gravidez é confirmada, a paciente deve comunicar ao médico, para que o balão seja removido.Possíveis Benefícios:

  • A perda de peso melhora a saúde em geral, contribui para a qualidade de vida e prolonga a expectativa de vida do paciente. O BIG é um método alternativo ao uso de drogas e não exige afastamento das atividades rotineiras, tanto profissionais quanto esportivas. Pode ser interrompido a qualquer momento e, se houver necessidade, pode ser repetido, sem restrições.

Técnica de Colocação do Balão Intragástrico

O paciente é submetido à mesma sedação de uma endoscopia digestiva. O médico anestesiologista monitoriza a função cardíaca e respiratória, de modo que o paciente tenha conforto e segurança durante o procedimento de colocação do balão.

  1. Introduzido por via oral até atingir a posição ideal;
  2. Em seguida o BIG é insuflado;
  3. Faz-se a retirada da sonda e o balão fica posicionado no fundo gástrico;
  4. O BIG flutua livremente no estômago.

Orientações Pré e Pós-Colocação do BIG

Dieta líquida nos três dias anteriores à colocação do balão intragástrico.

No dia anterior à colocação do balão intragástrico:

  • Jejum de sólidos por 12 horas.
  • Jejum de líquidos por oito horas.

No dia da colocação do balão intragástrico:

  • Chegar à clínica ou ao hospital uma hora antes do horário do procedimento.

Após a colocação:

  • Dieta líquida por 10 dias.
  • Líquidos claros nos primeiros cinco dias ou até cessarem náuseas e vômitos.
  • Líquida completa somente após cessarem náuseas e vômitos.
  • Dieta branda conforme orientação da nutricionista.
  • Medicações:
  • Usar três medicações fixas no mesmo dia da colocação do balão (após estar bem acordado):
  • Omeprazol 20 mg: 1 cp/ dia, durante seis meses
  • Buscopan composto: 1 cp de 6/6 horas, fixo por três dias
  • Vonau SL: aplicar Sub-lingual 8/8 h, fixo por três dias
  • Plasil: 1 cp de 6/6 horas se náuseas e vômitos não cederem e/ou
  • Dramin: 1 cp de 8/8 horas se náuseas e vômitos não cederem

Apendicectomia – Retirada do Apêndice Cecal

Informações Gerais

Por que realizar?

A cirurgia é realizada quando há inflamação do apêndice cecal, podendo levar ao paciente dor abdominal, febre, náuseas e vômitos. Se o apêndice cecal inflamado não for retirado rapidamente, pode romper dentro da cavidade abdominal causando peritonite, infecção da cavidade abdominal, gerando áreas com abscesso (pus). Se a infecção não for interrompida com a remoção cirúrgica, pode levar à septicemia (infecção generalizada) e à morte. O paciente pode ficar sem sintomas durante muito tempo e, a qualquer momento, ter uma crise aguda de dor, devendo operar com urgência.

O apêndice cecal não faz falta?

Não. O apêndice cecal tem o formato de um dedo da mão. Não tem nenhuma função no organismo. Talvez tenha sido parte de um intestino que involuiu ao longo do tempo.

A entrada de um pequeno resíduo de fezes, chamado fecalito, pode obstruir o canal do apêndice cecal e provocar a infecção.

Anatomia do apêndice cecal

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Sobre a Cirurgia

Indicação cirúrgica

Indica-se a cirurgia, com urgência, para que o apêndice cecal inflamado não rompa para dentro da cavidade abdominal, causando uma infecção maior.

Marcação da cirurgia

Geralmente, a cirurgia é marcada com urgência, respeitando o tempo de jejum de no mínimo seis horas. São necessários exames laboratoriais e avaliação cardiológica pré-operatórios.

Internação hospitalar

Geralmente, a internação ocorre no mesmo local em que o paciente está sendo avaliado. Com o jejum de no mínimo seis horas, inclusive sem água, realiza-se o procedimento sob anestesia geral. A cirurgia varia entre 30 minutos a uma hora, dependendo das condições locais de inflamação ou infecção.

Geralmente, pode ser realizada, em 99% dos casos, por videolaparoscopia, necessitando a conversão (passagem da cirurgia de videolaparoscopia para a convencional – aberta) em 1% dos casos.

Cirurgia

São feitas três incisões: uma de 1cm na cicatriz umbilical (por onde é colocada a câmera com visualização em um monitor, dando ao cirurgião uma visão em HD- alta definição, com 20 vezes de aumento e uma luz muito potente); outra de 1cm, à esquerda, e mais abaixo da cicatriz umbilical; outra de 5mm logo abaixo das costelas, à direita, por onde são colocadas pinças para soltar o apêndice cecal.

O abdômen é insuflado com gás carbônico, para que o cirurgião possa ter espaço para enxergar dentro da cavidade abdominal, e o apêndice cecal é retirado dentro de uma bolsa plástica (para proteger de infecções) pela cicatriz umbilical. Para soltar o apêndice cecal pode ser necessária a utilização de pequenos clipes metálicos de 3mm cada (são utilizados, em média, quatro), que ficam na cavidade abdominal, definitivamente, sem causar danos ao organismo, pois são de titânio, um material que não provoca reação de corpo estranho. Retira-se, ao final do procedimento, o gás carbônico.

Dependendo da evolução da infecção do apêndice cecal, pode haver pus localizado junto ao apêndice cecal ou espalhado por dentro cavidade. Necessita-se lavar a cavidade abdominal, com soro fisiológico, até a plena limpeza.

Quando não se consegue a limpeza adequada por videolaparoscopia, o cirurgião pode optar pela realização da cirurgia aberta.